terça-feira, 31 de agosto de 2010

Anoréctica?


Regressei ao trabalho com mais 2 quilos, ah pois, também sou humana, cometo erros, e estas férias cometi muitos! Se estou muito preocupada com isso? Nem por isso, sei que manter o peso inclui estas oscilações, e agora que volto ao bom caminho do trabalho e da rectididão, tudo há-de voltar aos eixos! :)

O mais estranho disto e que tenho que partilhar convosco, é que precisamente agora, me aconteceu de duas pessoas, um homem, e depois uma mulher, no mesmo dia, sem qualquer relação entre eles me terem falado de anorexia. Ele disse que eu estava muito mais magra e a dada altura, em tom de brincadeira (assim o interpretaria) chamou-me anoréctica. Ela, elogiou-me, mas a dada altura da conversa alerta-me para não emagrecer mais, que fico com a cara e ossos muito expostos, que a anorexia era coisa de modelos e que eu não tinha necessidade nenhuma disso.

Será que alguém que passa as férias a comer como um alarve, a visitar (e a comer claro está!) feiras gastronómicas, doces alentejanos, croissants no pequeno almoço do hotel e muito queijo as férias todas, pode ser confundida com uma anoréctica? Será que sou eu que não sei o que é a anorexia, ou eles confundem o facto de ter emagrecido com a vontade de continuar a emagrecer? Ou acharão, como a minha mãe que eu emagreci de mais?

Pois bem, é que eu vou ter agora de perder os dois quilitos que as férias me trouxeram! Ontem o programa cultural venceu a meta de passar roupa a ferro, vamos ver hoje, quem ganha a disputa entre o dever e o querer! Ainda não retomei o exercício, e amanhã tenho uma festa de anos. O mundo conspira contra mim!

domingo, 29 de agosto de 2010

Regresso


Já marquei o despertador para os próximos dias para as 7:15, sinal de que regresso ao trabalho, nem mais. Mas também regresso à normalidade alimentar (assim o espero), às boas rotinas de exercício físico, às aulas de natação... e tenho também uma série de promessas de mudança na minha forma de organizar as coisas, definitivamente vou ter que arranjar tempo para tudo - casa, trabalho, arrumações, estudar, fazer que coisas que gosto, fazer exercício. Pois, o complicado é que para quem sai de casa às 8 da manhã e entra às 19:30 isso fica complicado, ainda mais complicado porque em 3 dias por semana só chego depois das 21:00.
O meu problema é mesmo conseguir conciliar, marcar horários para tudo e cumpri-los... já me estou a imaginar com uma lista de tarefas do género "passar a roupa a ferro às segundas das 22 às 23, aspirar a casa das 19:30 às 20", vida complicada!
E no meio disso arranjar tempo para o resto todo: boa disposição, disposição para fazer exercício, disposição para namorar.
Acho que vou dedicar os próximos 10 minutos a elaborar a tal lista, e passar os próximos tempos a esforçar-me por segui-la à risca. Depois conto se estou a conseguir ou se morri no entretanto!

Não perca o próximo episódio de "uma profissional a tempo inteiro e dona de casa desesperada a tentar manter o peso" !

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Fall Trends


Ultra femininas as combinações com peças de ar masculino que o Outono promete. Estou apaixonada pela campanha publicitária da Chloé: transparece uma mulher chique, sóbria, feminina e independente.
Talvez eu esteja a projectar nesta imagem aquilo que desejo para minha própria imagem, é bem provável! Mas isso já é sabido, a moda mexe aqui com a máquina dos sonhos e eu como boa consumista que sou, já me adivinho na demanda por um casaco bege de fazenda em corte clássico, uma mala de boa pele, as calças fluidas num tom neutro.

Tenho reparado que me tenho dado mais atenção agora: preocupo-me com tudo - a depilação completíssima, sobrancelhas arranjadas, unhas cuidadas e pés tratados... preocupo-me com as peças que visto (agora que já não são as peças que me escolhem, mas eu a elas). Também não cedo à tentação do baratinho pechincha em saldo - estou a educar-me para saber comprar, isto é, saber o que realmente preciso, o que vou usar e me fica bem. E isto é um exercício e tanto!
E neste momento o meu modelo de bom ar é Rachel Zimmermann - cujo estilo elegante e sóbrio pretendo combinar também com peças menos formais para aligeirar. Mas sem dúvida, o meu guarda roupa vai compor-se tons camel, pastel e azul escuro, castanho avermelhado/alaranjado nos acessórios...

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Un.do


Quantas vezes sentimos que devíamos ser como os computadores e aceitar o comando undo? Que é como quem diz, ter o botão desfazer. Apesar de parecer que tudo funcionaria melhor, a piada é que nós não somos capazes de fazer um backspace, erase and rewind ou um delete. Cada um dos nossos actos fica gravado em nós de alguma forma mesmo que o esqueçamos, aliás cada uma das experiências que temos vai nos construindo e moldando, somos até ao fim um peça inacabada.

Ontem regressava de uns dias de férias e já vinha a pensar que dava jeito um undo para as coisas que fui comendo. Ainda por cima porque sei que os maus vícios ficam depois de uns dias de maus hábitos (bolachas, doces e gelados, uma alimentação menos controlada por força das coisas, muitas coisas boas e pouca preocupação). E vinha a pensar que depois de subir à balança era hora de arrumar tudo e voltar aos bons hábitos, à regra... Mas como a balança não me deu más notícias, cheira-me que ainda me vou andar a portar mal mais um bocado e em Setembro volto aos eixos! É que ainda há restaurantes onde quero ir, e feiras gastronómicas e dias de férias de boa vida (apesar da chuva que atraiçoou a minha vontade de me deitar ao sol hoje).

Entretanto já andei bastante, já visitei monumentos a perder a conta, fiz muitos quilómetros de carro e também a tal promessa a pé (foram 9 horas a andar sem parar, cerca de 42 quilómetros, e cumprida a promessa acabei por me sentir vitoriosa em relação ao desafio).

E agora outro tema: a chuva fez esquecer que o Verão ainda dura e já me deu vontade de ir às comprinhas da colecção outono/inverno... e porquê? Uma razão... ou duas - a roupa do ano passado está larga e as colecções deste ano são lindas! Calças, casacos, camisolas, malas, vestidos e botas - I love it all!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Promessa

Estou em vias de fazer a tal caminhada, a grande (mais de 40 Km), como prometido.

Há quem diga que só se recorre ao sagrado quando nos vemos em apertos, que é como diz, somos uns egoístas que não sabemos viver a religiosidade de forma correcta e coerente. E nisso até concordo, acho que é verdade.
Pois bem, eu estava num enorme sufoco, não via saída para o meu problema e não sabia que fazer. Subi à balança e tinha mais de 100 quilos e isso deixou-me de rastos (a verdade dos números). Achava impossível perder peso, era coisa que eu já tinha tentado fazer, resultou por um tempo mas não deu certo- o peso perdido regressou acompanhado com mais uns quilos.

De há uns anos para cá, tinha-me desligado da religião: deixei de ser a pessoa que ia à missa todos os domingos, que cantava no coro e aspirava dar catequese. Mas este era o lado rotineiro da religião. Mantive a fé, só não a exercia. Como os outros, mantive também este lado pagão da fé: o das promessas. Já tinha visto muitos casos de promessas que resultaram, e eu, sem saber para onde me virar, voltei-me para o divino.
Falei de cá de baixo da minha pequenez humana e pedi ao São Bento que me ajudasse a ficar mais magra (pedi para perder 30 quilos na altura), pedi também que não tomasse o meu pedido como acto de vaidade ou egoísmo, pedi que me fizesse melhor pessoa, e que me tornasse capaz de com isso ajudar os outros.
Perdi todos esses quilos e mais alguns. Por cada 5 quilos que perdia deixava um ramo de cravos numa capelinha de São Bento. Agora está na hora de cumprir a outra parte: ir a pé desde minha casa até o seu santuário. Que assim seja, e que São Bento nunca me abandone.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

De que matéria são feitos os sonhos

Acordei por volta das 6 da manhã, uma hora mais cedo que o costume. Levantei-me, olhei lá para fora: um céu ainda com pouca luz.
Decidi-me: pus uns calções, uma t-shirt, calcei os ténis e fui correr. O ar da manhã ainda frio a bater na cara, o orvalho nas ervas, o solo duro sob os pés, a brisa na folhagem das árvores. Nada melhor. Exercício ao ar livre logo pela manhã requer uma dose de coragem e desprendimento (da cama sobretudo), mas é ali que sabe melhor - é a realidade palpável, onde testamos o corpo contra a natureza, onde experimentamos também a harmonia e desfrutamos a sensação de liberdade e de vitória. Foi meia hora de corrida, muito bom. Regressei a casa, para um banho, arranjei-me e vim trabalhar- fresca e enérgica!

Os sonhos constroem-se, trabalham-se e moldam-se da nossa vontade, do nosso suor, da nossa luta. Chego a pensar que é incrível ter chegado aqui... não sou nada o género "eu vou conseguir, tenho é que ver o lado bom das coisas" . Estou sempre a ver o lado menos bom, a desencantar os resquícios de mal que possam existir até mesmo naquilo que supostamente deveria deixar-me feliz. Não aceito as coisas boas de forma fácil, questiono, desconfio e analiso. Eu não sei ser simples, não sei aceitar e ser feliz (habituei-me a trabalhar e a lutar por tudo, e nunca nada me foi dado...), talvez eu nem acredite nos sonhos, mas acredito que posso ser eu a fazer alguma coisa por mim.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Medo da balança

Ai Agosto, que é como que diz: tudo a gosto! São gelados, docinhos, os jantares, as entradinhas, as bebidas brancas... e fica muito difícil dizer que não a tudo. Eu, particularmente disse muitos sim na última semana: comi queijos, doce de figo, os baldes de pipocas nas duas idas ao cinema (Shrek e Toy story), as excepções, a falta das aulas de natação: permissão a mais e exercício de menos... o que é certo é que passei a ultima semana inteirinha sem subir à balança. Entre medo de ter aumentado de peso e a pressão de saber que não me posso desleixar, hoje ao chegar a casa lá subi... fiz figas para que visse no máximo um 58... mas em vez disso: 56.5!
Como é que é possível? Fiquei feliz pois claro! Apesar de ter assumido que o meu peso está em fase de manutenção, não pude deixar de ficar excitadíssima com este peso.
Talvez agora mais animada por inúmeras razões, estou no modo "lado bom".

E sabem que mais? Podemos não conseguir mudar o mundo... mas podemos mudar-nos a nós próprios.
Ainda que por vezes sejamos tomados pelo desânimo e desalento, ainda que custe e vacilemos nalguns momentos... eu diria que vale muito a pena! Ainda bem que decidi perder peso: e não quero de maneira nenhuma esquecer ou ignorar o meu passado, ele faz parte de mim. Há sempre perspectivas que nos falham, e há muitas coisas que agora vejo melhor deste lado. Mas nunca nos devemos esquecer de onde viemos, sob o risco de voltarmos a ver águas passadas moverem moinhos.

Definitivamente, gosto mais de mim assim. :)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

... continuação


Desde já o meu grande ( mesmo muito grande) obrigado a todos quantos me incentivaram no último post. Não sou o género de pessoa de me andar a lamentar. Estou mesmo a passar uma fase complicada de adaptação, de regeneração interior...

Ontem tive uma looonga conversa sobre isto com o meu companheiro. Expus os meus medos, as minhas ânsias, expliquei várias coisas que eram importantes pôr cá para fora:
- que me deixei engordar porque não consigo pensar em tudo aos mesmo tempo, passei 5 anos no modo licenciatura e só isso importava, conclusão, não sei gerir o todo
- que tenho consciência da vida que deixei para trás ao ser gorda/obesa, isso impediu-me de fazer muita coisa
- que o meu peso e a minha imagem afectaram a nossa relação
- que sinto agora uma enorme pressão para não voltar a engordar
- que não seria capaz de enfrentar as pessoas ou mesmo o meu parceiro se voltasse a engordar
- que tenho medo de engravidar porque não me consigo imaginar a ganhar volume de novo e com medo de não o voltar a perder
- que me sinto mal e insatisfeita com o meu corpo apesar de reconhecer que estou óptima, e me sentir bem nele
... e a conversa durou. Custa um bocado falar de "quando eu era gorda" ou mesmo ouvir "quando tinhas mais peso"... mas acho que foi importante.

Falei-lhe de como este processo todo me deixou um bocado sem pé - não me reconheço no antes, e ainda me estou a adaptar à imagem de agora. E apesar de gostar de me ver, sinto que toda eu sou uma pessoa diferente - não é só o físico que mudou, mudou também a minha forma de pensar. Nisso parece-me que sou outra pessoa, sem saber quem ou o que mudou ao certo.

Não quero que pensem que estou desanimada, estou só neste processo de adaptação. E quero poder desfrutar descansada o meu novo corpo, o meu novo eu. É complicado centrar uma luta no peso e achar que a fórmula da felicidade se reduz a menos quilos, a ser magra. Não é verdade, ajuda muito sim! Olham para nós de outra forma por sermos magros. Qual de nós não se sentiu já descriminada por ser gorda? No trabalho, numa loja... e quantos exemplos podia dar. Ganhamos sempre ao perder peso e conquistar uma vida mais saudável. Há quem tenha a sorte de ficar com o corpo espectacular. No meu caso não foi assim, ficaram marcas (usem e abusem todos os dias dos cremes para evitar sequelas!). Mas ainda assim o ganho é maior senda magra com umas imperfeições aqui e ali!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

M - manutenção


Ontem foi dia de consulta, e talvez pela primeira vez, foi uma consulta onde eu estava triste. Se durante todo este processo fui ficando feliz assumindo como uma vitória cada quilo perdido, isso já não tem acontecido.
Apesar de ter assumido este peso como o peso a manter, ainda assim a minha cabeça pressionava-me a ter nesta consulta um peso mais baixo que na anterior - foi muito tempo a perder peso, e isso faz com que agora seja psicologicamente complicado assumir com naturalidade um peso superior. Subi à balança e tinha 57.5 com roupa, na consulta anterior tinha 57.9.

Mas era mais do que isto, os meus problemas definitivamente já não estão no peso, estão disseminados numa série de outros assuntos que me andam a afectar imenso.
Apesar de ser uma pessoa bem disposta, não sou o género de estar sempre feliz: volta e meia sou assaltada por uma apatia, fico no meu canto calada, meto os phones e oiço a minha música alheada do que está em volta. Choro aparentemente sem motivo, fico sem vontade de fazer nada.
E é isso que me está a acontecer neste momento. Sei que é uma fase pré férias, uma fase de sobrecarga e de acumular de stress e que eu já dei tudo o que tinha a dar.
Mas aliado a esta fase de cansaço natural está a minha tristeza e insatisfação: com o meu corpo que não resistiu bem ao facto de ter perdido 44 quilos- ficaram estrias, peles a mais, um peito vazio e sem forma, ossos expostos de um lado e uma barriga, umas coxas uns braços longe de serem aquilo que eu considero ser um corpo bonito. E nesta altura deparo-me com corpos bonitos e invejáveis em todo o lado ( praia, piscina, rua ...) e isso intensifica a minha noção de que não tenho o corpo que gostaria de ter apesar de estar magra, ter um IMC normal, fazer exercício e ter uma vida saudável!

Sei que o ser humano é naturalmente insatisfeito. E eu acho que é perfeitamente natural não me sentir satisfeita. Sei que devia estar feliz por ter conseguido perder o peso que perdi e ter o corpo que tenho hoje, mas em vez disso assaltam-me os medos (de voltar a engordar), a tristeza (de não ter o corpo perfeito).

Entre outras coisitas que contarei mais tarde...

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