quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Sou humana

Sinto-me triste.
Parece-me que se avizinha mais uma depressão. Uma depressão Outonal, que chega à medida que o Sol vai perdendo o fulgor, à medida que as folhas amarelecem, caem e se enrolam à frente dos nossos pés.
Sinto-me triste: falta-me qualquer coisa. Nestes momentos persegue-me a ideia de que me falta qualquer coisa - invento coisas que gostava de ter, que quero comprar, que preciso, mas que na verdade percebo que não preciso de nada disso, e que esses desejos não são mais que a substuição de outra coisa qualquer.
Não sei se é comum sentir-me assim, mas acontece muitas vezes, de tempos a tempos.
Sinto-me desapaixonada, e magico em ideias tolas, penso se o meu amor ainda persiste e relembro o tempo em que tinha o coração em sobressalto, em que a paixão comandava os dias que se faziam em função do ver a outra pessoa, estar com ela, receber um telefonema ou uma mensagem. Fiz sete anos de casamento. Há quem fale na crise dos sete anos. A vida em sete anos já se fez de muitas crises, umas maiores que outras, coisas a que me adaptei, problemas que subsistem, problemas ultrapassados, temperamentos, feitios e vontades conjugadas, entre a minha persistência e jogo de cintura para ultrapassar alguns obstáculos. Às vezes penso que estou um bocadinho farta, às vezes penso que pensar isso é uma tolice. Muitas vezes não penso nada disso e vejo que problemas à parte estar juntos faz sentido e vale a pena.
Não sei. Hoje sinto-me triste e apetecia-me estar apaixonada como quando tinha 18 anos. E apetecia-me comer chocolate. E apetecia-me surpresa, romance, um amor lindo, sorrisos cúmplices, coisas de miúdos, simples, sinceras e inocentes. A vida ensina-nos demasiado e definitivamente tira-nos a inocência. Tenho a sensação que não seria capaz de amar mais ninguém, mas também já não acredito naquilo que acreditava quando tinha 18 anos. Hoje eu tenho 28 anos, e sei que a paixão não dura para sempre e o amor não sei... nem sei se o sei. Talvez tudo se resolvesse com chocolate.
E como dizer à pessoa que se ama tudo isto, sem tornar isso numa crise, e sem abalar a relação? Não sei quanto tempo passará até o dizer...

Só sei que não comerei chocolate.

10 comentários:

  1. bem...é dificil dizer qualquer coisa perante um texto destes, perante esses sentimentos tao teus mas k eu bem conheço de outras andanças! o k te posso dizer é k uma relaçao é uma construçao pra toda a vida, um casamento é tal e qual como aprender a viver como as flores:elas desabrocham sujeitas às mais duras chuvas e tempestades, e ao sol e calor extremo mas mesmo assim crescem fortes,bonitas e formosas. o casamento (ou outra relaçao qualquer) tambem funciona assim! todos nós ja vivemos relaçoes de miudos, akele amor louco e fugaz, é sempre assim no inicio mas depois quando a paixao ameniza temos de perceber se restou o amor e se restou entao temos de construir outras coisas pra alem da paixao k nao nos traz nada mais do k prazeres momentaneos! ao longo do tempo enquanto crescemos cresce tambem a nossa maturidade relacional...as faltas de alguma coisa todos temos, alias a vida é uma procura incessante! é por isso é k sabe bem viver, porque temos algo k fazer: procurar-nos...beijolas

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  2. Pois é... pelos vistos, por mais que cada caso seja um caso, existe muito de comum a todo o ser humano e eu não consigo deixar de me identificar com muito do que descreveste. Não sei porquê mas parece que aquele sentimento de constante euforia, sobressalto, inquietação, desejo de ver, estar, tocar a outra pessoa é quase viciante... mas a verdade é que, pelo menos numa boa parte dos casos (não digo em todos porque não me considero dona da verdade) esse sentimento (à quem lhe chame paixão) vai-se desvanecendo. Fica uma certa sensação de vazio, eu sei. Mas é nessa altura que temos que perceber se o vazio é total ou se existe muito mais para além da paixão. É nessa altura em que a razão tem que falar mais alto e que temos que colocar a inteligência emocional a funcionar. Tenho a certeza que ao fim de 7 anos de casamento já deves conhecer o teu companheiro mais do que bem. Os defeitos e as qualidades todos. E arriscaria dizer que também passaram por bons e maus momentos. Posto isto, acho que deves saber se, mesmo depois da paixão, ele é a pessoa que queres ter ao teu lado. São bons amigos, bons companheiros, cúmplices, amam-se? Se a resposta é afirmativa, então acho que essa crise só precisa mesmo de um quadradinho de chocolate... Atenção que não te aconselho a que te conformes com pouco ou com o que não queres. Só acho que há muita vida para além da paixão, há é que saber valorizá-la... tudo de bom para ti.
    Beijinho

    Luciana

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  3. Estou com o meu marido há 21 anos... Nem sempre completamente apaixonada, como no início.
    A paixão transforma-se em amor, carinho, companheirismo.
    Como digo ninguém vive eternamente apaixonado - seria uma canseira muito grande - mas a paixão tem que aparecer em algumas alturas.
    Temos que lutar pelo amor. Apimentar o relacionamento é necessário, sempre!
    No meu caso, quando me sinto mais em baixo digo. Exigo atenção, afecto e mimo.
    Nenhum de nós tem uma postura de "estamos casados e pronto!"
    Aconselho-te a namorar com o teu marido, brincar, fazer jogos de sedução... A paixão está muito na nossa cabeça. Se começas a matutar que não sabes, que não queres, que não te sentes bem... Vai ser pior para ti.
    Come um quadrado de chocolate e depois aproveita para queimar umas calorias com o teu marido :)
    Tenta não complicar a viva pois ela é breve demais para não ser vivida.
    Abraços

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  4. Electra eu ando bem mas apavora-me o Outono que ainda está para vir. A minha depressão não é sazonal mas manifesta-se com mais força no Inverno. Tenta atalhar com algum tratamento se vês que pioras.
    Ou então, procura um projecto que te seja querido para dar algum sentido aos próximos tempos. Aprender algo novo, ou então isso mesmo: trabalhar a tua relação. Eu não vi nada de especial nos 7 anos (casada há 11). É um cliché bem sei mas digo: uma relação constrói-se cada dia. Sabes o que faço quando preciso de mimo? Dou mimo e ele geralmente responde. Conversa bastante. Mas essencilamente recomendo um projecto para ti ou melhor ainda para os dois. Algo que vos una, de que gosteis muito os dois, como planear e fazer uma viagem , redecorar a casa vocês mesmos, etc
    Bj e ânimo (conta comigo mariaspintas@gmail.com)

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  5. Olá amiga, em primeiro lugar parabéns pela tua vitória, no teu regime alimentar. Vi que ês uma vencedora. Quero ser como tu!!! e vou conseguir. Quanto ao teu estado de espirito, é normal. Também tenho esses sentimentos e momentos só meus em que acho que quero mudar, que não estou bem. Depois passa e sou muito feliz e agradeço a Deus o bom marido que me deu.
    A paixão passa mas eu ao fim de 11 anos ainda tenho momentos de grande paixão com o meu marido. Claro, que também tenho momentos em que me apetecia afastar-me dele. Mas, ele é o meu amor da minha vida. Ninguém tem um marido 100% em tudo. Nós também não somos para eles 100%, em tudo!
    O teu estado é normal. Tannnntasssss vezes estive assim. Acho que também nos faz falta, pensar para nós mesmas, observar o nosso eu.
    Desejo que no final, te venhas a sentir muito melhor.
    Beijinho
    Sofia

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  6. Oi Electra...
    O outono tb me deixa assim...triste deprimida...pensativa...querendo algo que faça meu coração pular mais forte...
    Como dizem existe a crise dos 07anos...mas existem em outros momentos da vida a dois também...mesmo quando se é namorados...
    Tenho 28anos de casamento...tivemos momentos bons e ruins ...muitas vezes pensei em jogar tudo para o alto...hoje agradeço por não ter feito isso...
    Descobri que o meu amor é feito de tijolinhos...colocados um a um....dia a dia...tem valido a pena...
    Amo meu marido hoje muito mais do que quando nos casamos...sem aquela paixão arrebatadora...mas um amor que me completa...
    Beijokas

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  7. esta súbita ausência de sol abate-se sobre todos aqueles que necessitam de vários pontos de conforto, que são dependentes do que se passa ao seu redor...estou como tu, com vontade de mudar mas sem perceber o que está mal. já sabes que a comida não vai ajudar em nada (muito pelo contrário), tenta erguer-te, põe-te bonita e vai sair com o maridão :)

    beijos :)

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  8. visita o meu blog

    http://voltaraopesoideall.blogspot.com/

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  9. Eu estou casada há seis anos e às vezes também me sentia assim. falei com o J (o meu marido) ao que ele sabiamente me respondeu:
    "E EU? Sabes o que eu sinto? É que eu sinto exactamente o mesmo que tu!"
    Só aí me apercebi, que em vez de me queixar da minha relação, tenho de pensar o que podemos (juntos) fazer para a mudar.
    Desde então as coisas melhoraram muito!!!
    Pensa nas qualidades que fizeram com que te apaixonasses por ele, pensa naquilo que podes fazer para que ele se volte a apaixonar por ti. Planeiem encontros românticos e faz-lhe ver que também ele precisa de te conquistar e surpreender over and over again.
    Acredita que é possível redescobrir o amor...

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  10. Sabes, escreveste aquilo que eu só tenho coragem de dizer para mim mesma.... As saudades de ter 18 anos e sentir o estômago apertado à espera de um telefona, as surpresas, o romance, a paixão... Parece que à medida que crescemos, a vida tira-nos tudo isso, mas eu já nem coragem tenho para o escrever e tornar real. Se calhar tem de partir de nós dar um empurrãozinho e tentar...não sei...ontem dei por mim, à noite, a pensar precisamente nisso. Ele ao lado, a dormir, abraçava-me e cheguei a uma conclusão, ainda assim, é só com ele que eu quero estar e não digo nada, não disse nada porque seria uma crise de todo o tamanho. Penso que há aqui mais pessoas que já passaram ou passam por isso e a solução da Miss Betterme parece-me ser a única que existe. Está nas nossas mãos mudar, ou tentar, pelo menos. Muita força!

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