domingo, 31 de outubro de 2010

Intimidade e bom senso




As últimas duas semanas foram diferentes daquilo a que me havia habituado, os meus medos deram lugar a algumas certezas e muitos mais medos. Fiquei doente: cervicalgia, contratura muscular, muitas dores de costas, de ombro e de pescoço a ponto de mal conseguir estar sentada, nem posição para dormir nem coisa nenhuma. Uma semana depois de uma fantástica passagem pela urgência hospitalar, e meia dúzia de injecções depois continuo com dores.

Durante estas 2 semanas que passaram não vos contei muita coisa, mesmo porque a bem dizer foram dias entre médicos, hospitais, fisioterapeutas, cansaço, além do trabalho (sim, porque ao contrário de colegas que faltam à menor constipação, não faltei nem um dia ao trabalho, coisa que duvido que os patrões percebam sequer!)
A parte pior é mesmo o exercício zero por estar doente e muita fome, por me sentir fraca, porque tenho medicamentos para tomar e tenho que comer, porque tive 2 quebras de tensão... ok, mas isso da fome pode ser psicológico.
Posto isto e tal como suspeitava, bastou uma oscilação de saúde para tudo descambar: tive que parar com a natação e não consigo fazer mais exercício nenhum. Vamos ver quando consigo voltar à normalidade! Eu espero que seja para breve.

A outra coisa que aconteceu e eu acabei por achar piada nestes dias em que andei super em baixo, foi ter sido assediada, quer dizer assediada nem é bem a palavra correcta... vá, o rapaz em questão (suspeito que seja mais novito que eu) alheio ao facto de eu ser casada (até porque não me conhece e eu não uso aliança...) convidou-me para um café já por 2 vezes, insistiu ainda que timidamente num encontro no fim de semana. Eu sorri, nem vejo muito mal no café, mas achei que era indelicado sacar da arma de arremesso e dizer logo "claro que sim, posso levar o meu marido?", por isso fiquei-me pelo sorrir, e acho que ele percebeu que havia ali algum impedimento. Anyway, achei piada ao flirt, end of story, não vai haver desenvolvimentos...
Posto isto, que atire a primeira pedra a mulher comprometida que não gosta de perceber que causa interesse, que é alvo de olhares, que no fundo percebe que é bonita e desejada.
Aliás tenho para mim, que esse género de flirt só apimenta a relação, é um lifting, uma lufada de um ar fresco, sobretudo porque cheguei a casa olhei para ele e pensei:"não te trocaria por nenhum outro"!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Distúrbios alimentares

Fui confrontada com Ortorexia, nem eu sabia o que era!
As pessoas à minha volta acham que tenho cá dentro uma bomba qualquer prestes a explodir: temem a anorexia, a bulimia e agora a ortorexia.
Eu na verdade só temo voltar a engordar, mas à parte desse medo sei que sou uma pessoa permissiva: que come pão com doce, que come queijo... tenho as minhas paranóias, pois claro: nunca uso mais de 2 colheres de azeite para cozinhar, lá em casa está terminantemente proibido usar banha ou manteiga para cozinhar, e nisso sou um bocado intransigente. Mas se vou jantar a casa de alguém ou a um restaurante, nem sequer me ponho com histórias, como o que tiver que comer sem grandes preocupações de como foi confeccionado (sei que à partida terá muuuito mais gordura do que se tivesse sido eu a fazer, mas pronto, paciência, uma vez não são vezes).
Claro que depende dos dias, às vezes fico de mau humor por comer algo que sei que não devia estar a comer, e isto dito assim coloca-me do lado dos ortorécticos. Também vou pensando ao longo do dia o que vou comer ao almoço, o que faço para o jantar, mas no início da dieta é que vivia em função disso, agora não. Acho que é normal haver este género de pensamentos e preocupações para quem passou uma fase de reeducação alimentar. E eu sei que ainda não tenho uma relação normal com a comida, luto para ter, mas ainda não tenho... e acho que vai levar ainda muito tempo.
Por outro lado tenho-me esforçado por ser mais racional e saudável (menos repressiva) em certas coisas: comer pão de manhã (que eu não comia) mas que é essencial para uma boa concentração. Comer iogurte durante o dia, porque andei uma fase em que os substituía pela gelatina, e sei que preciso de cálcio, e também terei que fazer por incluir mais fruta durante o dia.
É tempo de estar menos obcecada pelo peso e dar mais atenção a uma manutenção saudável e sustentável a longo prazo.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Uma vez gorda: gorda para sempre



Pois é, sou como qualquer gorda. Não há ex-gordas, nem gordas recuperadas. Uma vez gordo e ser-se-á gordo para toda a vida!

Porquê? Porque digo isto? Pois bem, é a mais pura verdade. Desengane-se quem acha que já emagreceu tudo e que agora pode fazer e comer o que lhe apetecer. Não é verdade. É tão simples aumentar de peso a uma velocidade impressionante comparada com aquela que penamos para perder um quilo ou dois.
Nas férias ganhei dois quilos, que perdi em 2 semanas. Agora depois da ida à nutricionista permiti-me abusar uma vez que tinha um quilo que podia ganhar: ganhei dois!
Venho aqui dizer-vos o quão difícil é perceber que reeducação alimentar é para a vida toda, que os bons hábitos são para ser levados a sério (quase) todos as refeições.
E só percebendo isso e aceitando viver assim faz sentido iniciar uma dieta alimentar. É preciso preparação psicológica para aceitar uma nova forma de viver.

Sei que não me posso dar ao luxo de viver como se fosse magra: não posso comer meio pacote de bolachas durante o dia como as minhas colegas, nem posso comer aquela fatia de bolo de chocolate ao lanche, nem os panados ao almoço.
Aprendi a viver de forma diferente e não me sinto mal com isso. Mas creio que me faz bem vir aqui admitir que não tenho super poderes e que não sou mais que os outros! Sou uma gorda na sua fase magra: só isso.

Quem me garante que amanhã estou doente e deixo de poder fazer exercício, ou deixo de conseguir cumprir a minha rotina alimentar?
Quem me garante que serei mais forte que todas as depressões e contrariedades da vida? Quem me garante que conseguirei ser forte e não descontar o meu sofrimento na comida?
Quem me diz que terei sempre emprego? Que faria eu se não tivesse emprego, nem horários, nem dinheiro para pagar a natação e os alimentos mais saudáveis?


A vida é uma coisa volátil, que foge do nosso controle. Ser magro, para um gordo, implica controlar de uma forma metódica toda a sua vida. Só continuarei magra enquanto conseguir controlar a minha vida, e muitas vezes (a maior parte das vezes) a nossa vida não depende da nossa vontade.

A minha força de vontade é grande... que Deus me ajude com o resto.

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